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Cadê os líderes?

Cadê os líderes?

"Você pode tirar de mim as fábricas, queimar meus prédios, mas se deixar meu pessoal eu construirei outra vez todos os meus negócios". – Henry Ford

 

Essa pergunta, "cadê os Líderes", foi feita por um dos mais influentes líderes na área automotiva. Quem não conhece ou conheceu a história de Lee Iacocca?

 


Quando Iacocca escreveu seu último livro, com o título "Cadê os líderes," publicado aqui no Brasil pela Campos Editora, ele já mostrava sua preocupação com o apagão de liderança nos segmentos corporativos americano, principalmente, claro, no setor automotivo. Parece que na época, ninguém deu ouvido.

Iacocca foi um dos líderes mais influentes de sua geração, especialmente quando esteve à frente da Ford. Seu legado continua até nossos dias. Por isso, suas considerações sobre a ausência de líderes, inspiraram-me a escrever mais uma vez sobre o tema.

Em sua última palestra aqui no Brasil, o Prof.Jeffrey Pfeffer (renomado Professor de Stanford, realizou a primeira palestra do Fórum Mundial de Liderança e Alta Performance da HSM na manhã do dia 2 de junho 2010) comentou que a crise de 2008/2009 não foi uma crise de crédito, mas sim, uma crise de liderança. Sem papas na língua, ele apontou suas baterias para os líderes à frente das instituições financeiras e para o setor automobilístico. Ele afirmou que no epicentro da crise estava a "ausência de liderança." Ou seja, dois anos após Lee Iacocca escrever sobre sua preocupação com a ausência de liderança nos Estados Unidos, os acontecimentos mostraram que suas previsões estavam certas.

O Professor Pfeffer, falando sobre a crise de 2008/2009, mostrou-se indignado com a complacência e apatia dos líderes à frente dessas instituições; bônus bilionários pagos a executivos fracassados foi uma das maiores vergonhas corporativas dos Estados Unidos, disse ele. Afinal, ficou claro que a única preocupação dos líderes era salvar os seus bônus. Quanto às empresas, nos lembramos ainda muito bem o que lhes aconteceu. Você ainda se lembra do Lheman Brothers?


Liderança é exatamente a antítese de tudo isso. Liderança é comprometimento, primeiro com a instituição e seus funcionários e posteriormente, quando cabível, com outros interesses. Claro que estamos falando aqui em lucro, estabilidade, perenidade etc. Quando os líderes pensam neles e tão somente nos resultados de sua conta bancária, os resultados são catastróficos.

É verdade que os números podem ser maquiados ou manipulados, mas um dia a casa cai. Quem não se lembra da Enrom.

Lee Iacocca estava cheio de razão ao se preocupar com a ausência de liderança. Segundo analistas de diversos países, os executivos americanos com sua ganância descomedida e fora de controle, estavam apenas empurrando a sujeira para debaixo do tapete. A pergunta de Iacocca "Cadê os Líderes" continua sem resposta. O mundo passa pelo maior apagão de liderança de sua história. Se não vejamos.

Jack Welch foi considerado o líder do século, com todo merecimento. Mas isso é muito pouco. Estamos assistindo a um festival de mesmice, pelo menos por uns trinta anos.

Desde Michel Dell, passando por Bil Gates, Steve Jobs e mais recentemente pelos criadores do Facebook, Mark Zuckerberg e Sergey M. Brin Lawrence E. Page, criadaores do Google ─ o que há de novo no reino da Dinamarca?


No Brasil, a única liderança fascinante foi Ricardo Semler e a história da Semco. Fora isso, são sempre os mesmos.

 

O Senhor Eike Batista que tinha milhões de seguidores nas redes sociais, mostrou ser a maior decepção quanto a liderar. Deixou milhares de pessoas desempregas e desapontou milhões que acreditavam em sua forma de ldierar.

O Congresso Nacional espelha o que está acontecendo. Um festival de continuísmo e show da mesmice. No mercado corporativo não podíamos esperar por algo diferente. Um país que ainda engatinha quando o assunto é empreender, a renovação se tornou um bem raro e para poucos.

Então, o que pode ser feito? Criarmos e desenvolvermos mais líderes. Dar oportunidade para que surjam novas cabeças com idéias mais arejadas e menos engessadas. Talvez a fórmula usada por J. Welch na G.E para a formação de novos líderes, não seja assim tão velha. Acredito que precisamos debater muito mais sobre o esse assunto, criando nas empresas, mesmo que de forma lenta, a preocupação com o tema ─ liderança.

Grande abraço a todos,

 

Fernando Fernandes

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17 Comentários
  • Jhonny Herrrera
    14 de abril de 2011 ás 14:36

    Parabéns!! Muito bom o artigo!

  • Jose Sergio dos Prazeres
    19 de maio de 2011 ás 19:41

    Excelente artigo, na realidade temos uma crise ética em um mundo onde ser ou ter não são mais preocupações e sim “parecer”. Dai essa leva de executivos medíocres que estão inundando todas as instituições. Resultado, os bons estão cuidando da própria vida como podem, pois gente boa não fica em lugar ruim e a grande maioria das empresas se tornaram insalubres para os que pensam e sempre agiram de forma coerente e honesta.

  • Edison L. Bernardes
    7 de janeiro de 2012 ás 11:41

    Um excelente artigo, que retrata verdadeiramente a falta de líderes no momento e o inadequado uso da expressão lider para meros gerentes, administradores, chefes, etc.
    Falta-nos verdadeiros lideres, como muito bem dito na matéria, lider é aquele que tem comprometimento com a instituição e com as pessoas, seja no ambiente interno da corporação ou instituição, seja no ambiente externo, com o mercado onde atua, o meio ambiente, etc.. No ambiente político então, a falta de liderança é total, e os pretensos “lideres” carregam consigo a falta de ética, de moral, e tem exclusivos interesses pessoais, corporativos e partidarios.
    Parabens!

  • Ronaldo Leonam Silva Souza
    16 de março de 2012 ás 19:39

    Bom texto, amigo Fernando, eu acho que as empresas deveriam dar oportunidades aos pratas da casa, que já estão habituados com os processos da empresa, com a maioria dos clientes, até já sabe o que funciona ou não para elaborar idéias, mas o que você acha da empresa trazer uma pessoa de fora que não tem experiência no ramo e joga ele no escuro para aprender, isso ainda que errado seria feito com o vendedor para ser treinado, mas com um líder acho que é fora de cogitação, não é?Um líder dentro de uma empresa deveria ser o vendedor que mais se destaque em todos os sentidos, nas suas metas, no relacionamento com os outros funcionários e nos demais setores da empresa.
    Abraço!

  • Edson Vergilio
    29 de abril de 2012 ás 21:18

    “Passarinho que anda com morcego acaba dormindo de cabeça para baixo”. Muito cuidado com esses pseudos líderes que estào mais preocupados com os status dos cargos do que com a própria organização. Muitos que estão aparecendo nas revistas de negócios deveriam estar nas páginas policiais por maquiarem resultados para receberem bonus. É preciso acabar com esse negócio de pagar bonus para executivos urgentemente, pois muitos estào defraudando as organizações e transformando gigantes de ouro em anões de barro via venda de ativos em nome do modismo “core business” e receb.

  • Liliana Silva
    9 de maio de 2012 ás 12:16

    Excelente artigo. temos que repensar…

  • Otávio Carvalho
    30 de maio de 2012 ás 11:59

    Liderança é rara. Conhecemos muitos chefes mas poucos lideres.

    O chefe manda, ninguém o contradiz. O sucesso é seu e o fracasso, se ele for bonzinho, é coletivo, mas normalmente é da equipe.

    O líder está à frente. Assume a responsabilidade dos erros (por que o líder erra mas o chefe não) e credita o sucesso à equipe.

    O chefe manda realizar e observa o resultado de longe. O líder realiza e a equipe o segue.

    O chefe manda: façam! O líder chama: sigam-me.

    Um excelente exemplo de liderança é o filme “O mestre dos mares”. Vejam.

  • Lindaura
    11 de agosto de 2012 ás 10:01

    Parabens, otimo artigo.
    Na verdade o que temos muito hoje, sao executivos pouco preparados no mercado em relacao a lideranca.
    Lindaura

  • wilson dreux
    17 de outubro de 2012 ás 18:23

    Como sempre você se supera! A falta de profissionalismo,começa na liderança diretoria, nas promoções erroneas e na falta de pessoal qualificado e treinado. Nestes anos o que tenho visto é de um amadorismo que envolve lideres desqualificados e sem nenhum quesito de treinamento. Sem alongar-me voltemos ao Caso do Fred e seu carro, Cadê o lider?

  • Antonio Carlos dos Santos
    9 de dezembro de 2012 ás 12:56

    Parabéns a todos pelo valiosos comentários,percebo que estão seguros em suas afirmações e aquilo que pensam,isso é muito bom para o mundo e a sociedade como todo,o importante agora é ter coragem de fazer mudanças,pra melhor,vamos persistir.

  • Jeannette C. Monteiro
    11 de dezembro de 2012 ás 11:12

    Excelente artigo! mas não podemos esquecer que o processo de liderança começa em casa e é aperfeiçoado na escola e que a falta de lideres verdadeiros no mundo corporativo e nos processos que envolvem a sociedade dá-se pela falência da familia e da educação no Brasil.

  • Tiago Rafael Silva de Andrade
    2 de março de 2013 ás 13:09

    Muito bom! Percebo que além da ganancia por “bônus” e o que vejo é executivos preocupado com os indicadores e não com pessoas, vejo tanto líder medíocre que falam que os funcionários mais reclamam preocupados com seus direitos e amadores para exercer seus deveres, mais será que isso não está ligado a má liderança? Porque o líder não muda isso mostrando o verdadeiro valor e seus direitos? Se é direto é obrigação deles ter. Liderança está ligado diretamente na satisfação dos funcionários, se reclamam é porque algo está errado e o líder não está la para mostrar o valor das pessoas. E vejo esses chamados “líderes” mais preocupados com sair pra balada com outras pessoas que ocupam cargos legais ou interessantes na empresa por puro interesse, e fala mal das pessoas na empresa. Networking não é só interagir com pessoas “legais” e “bonitas” por interesse, é dividir experiencia com pessoas além de legais, pessoas agregadoras e respeitosas , que respeitam, que agregam valores, isso sim é exercer a verdadeira liderança. Respeito com todas a hierarquia é tudo, assim você terá seu respeito digno de um líder. Abraço!

  • Frankc José de Andrade |Medeiros
    24 de outubro de 2013 ás 17:10

    O bom líder não é aquele que simplesmente distribui as tarefa entre os seus colaboradores, vira-se de costas para os mesmos e vai sentar-se em uma confortável cadeira a espera do final de expediente!
    Para mim, o bom líder é aquele que sabe dar apoio logístico aos seus colaboradores,está preocupado com o bom andamento dos serviços, mete a mão na massa para ajudar na produção e sabe dizer: muito obrigado, bom dia, boa tarde ou boa noite!
    Saber motivar o pessoal que está a sua disposição, é fazer um grande empreendimento na qualidade e na quantidade do produto produzido e/ou do produto a ser vendido.

  • Rosemeri Silva
    25 de outubro de 2013 ás 12:43

    Lendo esse artigo me dá uma tristeza, mas vou falar mesmo assim Fernando.
    O que acontece na real é a diretoria e gerencias indicando ?amigos? para ocupar cargos de extrema responsabilidade sem qualquer visualização de competência para o cargo de liderança. É isso mesmo! Acha que não ficamos chateados nós que a vida inteira buscamos oportunidades como essas? Lutamos, vemos cada absurdo sendo praticado pelo chamado ?lideres indicados?, ganhando horrores de dinheiro e altas regalias e quem deveria ocupar o cargo não ocupa. É um jogo de vaidades, sem precedências, uma deslealdade incrível.
    ?E assim caminha a humanidade?. Ou as empresas se colocam em uma postura descente, ou vai continuar a se perguntar: onde estão os líderes?
    Eu realmente acredito nesse fenômeno. É o que movimenta essa prática desonrosa de indicação para cargos de liderança sem se importante com pessoas que realmente estão longe de serem vistas pela sua capacidade. Acredito que sair de dentro das organizações perceberem as pessoas aqui fora seria o campo ideal de atuação para garimpar esses líderes e poder crer os líderes não estão aí dentro das organizações eles estão ocupando outros cargos e nem sempre tão visíveis. O negócio é andar e prestar a atenção. Demora mas acontece!

  • wilson dreux
    13 de março de 2015 ás 19:11

    Estamos sem líder a muitos anos, veja os exemplos da politica, corrupção e profissionais despreparados sem o menor escrúpulo, Cadê os lideres?

  • Luiz AVELINO
    14 de março de 2015 ás 09:23

    Fernando,
    Lendo seu texto passados quase 4 anos e interligando com uma reportagem da revista Época, deste mês, onde o Gabriel Perissé citou: A escola não ensina a ler para questionar, ensina a ler para acatar. Daí surge os leitores com dificuldade para entender ironias, as entrelinhas. E não adiantam nada aulas com macetes, técnicas, dicas e truques. Isso não resolve o problema. Sugiro que leia o texto todo através do link:
    http://admvital.com/blog/escola-nao-ensina-ler-para-questionar/
    Percebemos que o mundo, dito, moderno está exigindo um novo perfil profissional no mercado de trabalho, CAPAZ NÃO APENAS de ?fazer?, mas de ?pensar? e ?aprender? continuamente sobre aquilo que faz, e que tende a se generalizar em todas as esferas do setor produtivo. Mais do que nunca se difunde a consciência de que a EDUCAÇÃO, além de ser um investimento indispensável para a conquista da cidadania, é FUNDAMENTAL para formar o cidadão trabalhador, dando-lhe condições de enfrentar novos desafios colocados pelo atual sistema produtivo mundial. Cenário que, a cada dia, pela imaginação e realização do homem coincide com o próprio mundo e humanidade, e cujas exigências estão tornando as PESSOAS, qualquer que seja sua idade, novamente APRENDIZES. Em consequência, é imperativo hoje, oportunizar as pessoas um ambiente amistoso e instigador que as impulsionem enquanto indivíduo e participante do grupo, a explorar o espaço exterior, mas, sobretudo, o interior, como espaços de vida, através de um processo de educação contínua. Nesse novo contexto, o futuro trabalhador deixa de ser visto como um simples componente de custo, passando a SER UM SUJEITO interferente na sociedade e uma fonte de conhecimento indispensável ao avanço e aperfeiçoamento dos processos produtivos. Esse enfoque nos LEVA A UMA COMPREENSÃO em que a formação do novo trabalhador é uma EXIGÊNCIA e uma TAREFA CONTÍNUA, que COMEÇA, MAS não se esgota na escola.

  • MARCELO CORREA MEDEIROS
    14 de março de 2015 ás 13:59

    Excelente artigo, parabéns!

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