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Diplomaticamente, somos ou não “anões”?

Diplomaticamente, somos ou não “anões”?

 

“Essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”, disse Yigal Palmor. A frase dita semana passada pelo porta-voz israelense caiu como uma bomba e repercute em todos os noticiários. Em um ato de autodefesa muitos brasileiros partiram para o ataque verbal contra Israel, deflagrando duras críticas ao país pela atual ofensiva em Gaza onde mais de 1100 palestinos e 55 israelenses já perderam a vida.

 

Especificamente sobre a atitude do Brasil em relação ao conflito atual entre Israel e Palestina/Hamas, podemos classificá-la como desastrosa. Porque aponta somente Israel como vilão dessa história sem mencionar o Hamas em momento algum em sua nota. História essa que na verdade não possui nenhum mocinho, e o exemplo disso é o fato de o líder supremo do Hamas, que teve sua luxuosa residência destruída numa ataque essa semana, atualmente se encontra escondido em um bunker situado muito provavelmente abaixo do principal hospital de Gaza, claramente utilizando os feridos desse conflito como escudo.

 

A troca de “elogios” entre israelenses e brasileiros começou quando após a nota de repúdio do Brasil a Israel devido a “desproporcionalidade” do conflito e escalada da violência, nota essa que foi emitida dias antes de maneira idêntica por Ban Ki Mon, Secretário Geral da ONU, o Itamaraty chamou seu embaixador em Israel para “prestar esclarecimentos” em Brasília, retirando-o de Israel, o que na prática diplomática é uma atitude dura e tomada em casos extremos. Diante dessa atitude o porta-voz Yigal Palmor respondeu com mais ironia desnecessariamente, “Isso não é futebol. No futebol, quando um jogo termina em empate, você acha proporcional e quando é 7 a 1 é desproporcional”.

 

Mas, voltando a política externa brasileira, afinal, somos ou não somos anões?

 

O Brasil possui relações diplomáticas com 138 países, entre 194, e é um dos 100 países que reconhece a Autoridade Nacional Palestina como Estado autônomo. É líder da força multinacional de estabilização da ONU no Haiti, trabalha no desenvolvimento e restauração da paz no Timor Leste. É atuante em várias organizações internacionais, entre elas a OMC, onde possui o atual Diretor Geral da entidade Roberto Carvalho de Azevedo. Trabalha com foco na integração regional e em Blocos econômicos, como o “BRICS”. O Brasil utiliza um estilo “soft power” que seria algo como influenciar indiretamente o comportamento ou interesses alheios para alcançar seus próprios interesses. Na prática, poucos resultados foram alcançados na esfera política internacional pelo Brasil nos últimos 30 anos, mas não diria que sua participação é irrelevante ao ponto de ser chamado de anão diplomático, muito pelo contrário.

 

Só que as últimas 3 semanas às relações internacionais têm sido intensas. Em relação aos últimos acontecimentos o Brasil inicialmente compartilhou da teoria (quase uma piada) de que o ataque ao voo MH17 da Malaysia Airlines teria sido direcionado ao avião de Vladimir Putin, o que logo foi descartado por questões óbvias e agora atestado com a análise das caixas pretas. Novamente em ralação a Israel e Hamas/Palestina o Brasil extrapolou na dose ao retirar seu embaixador de Israel, pois nas relações diplomáticas essa é uma atitude extrema e que causou toda essa guerra desnecessária de palavras.

 

A nota de repúdio ao conflito foi mal elaborada e tendenciosa, pois ignorou os ataques do Hamas e o fato de que para o Hamas essa está sendo a sua ação de guerra mais bem sucedida levando em conta o número de israelenses mortos, fruto da fabricação local de seu arsenal e da utilização de túneis para o contrabando de armamento. Indo um pouco além das datas desses dois acontecimentos, temos outros exemplos do imbróglio que é a política externa do Brasil, como o caso do Senador Boliviano Roger P. Molina que foi trazido as escondidas para o Brasil e causou muito mal estar, inclusive a saída do então Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota, célebre desafeto da Presidente Dilma.

 

No que tange a política externa brasileira, percebemos que ela é desconexa com os parceiros que não seguem a mesma ideologia dos atuais mandatários, visto que não ouvimos falar da retirada de diplomatas brasileiros de lugares onde graves conflitos aconteciam e ainda acontecem como Siria, Ucrânia, Líbia entre outros, mas com Israel, inexplicavelmente, a atitude foi outra. O contraponto disso está no tratamento dado a, por exemplo, Venezuela e Cuba, que oprimem suas oposições e ainda assim seus líderes são hospedados na residência oficial da Presidente, o que mostra a tamanha proximidade desses líderes, além dos inúmeros mistérios relativos a diversas questões sobre investimento, política e integração regional.

 

É sabido que o Brasil busca apoio de muitos países do segundo e terceiro escalão diplomático na tentativa de reformar o conselho de segurança da ONU para que então possa ocupar uma cadeira como membro permanente, mas sem resultados, e utiliza de seu bom relacionamento com o restante do mundo como desculpa para não emitir opiniões sobre assuntos internas de outros países, não desagradando a ninguém dessa maneira. Só que nesse exato momento, ao agir de forma diferente de como sempre agiu, desagradou a um importante parceiro, Israel, e agora tenta a todo custo colocar panos quentes sobre esse conflito.

 

O direcionamento dado à atual política externa brasileira necessita de mudanças, que partem de um planejamento de longo prazo, e um padrão de posicionamento com base não somente na ideologia ou ma escolha de um dos lados do conflito. Caso contrário, continuaremos a perder espaço no campo político internaciona,l da mesma forma em que paulatinamente perdemos espaço no comércio internacional por falta de competitividade e inovação.

 

Grande abraço,

Rafael Borim

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1Comentário
  • Diceia Alves Ramos da SIlvs
    6 de agosto de 2014 ás 13:15

    A meu ver, o que o tal israelense quiz dizer, é que o Brasil está muito atrasado em relações e Comércio exteriores, devido o tamanho da nossa cultura, e Biodiversidade de matérias primas e orgãnicas do nosso país que cobre uma extenção de mistura de povos linguas e nações, pensando assim realmente nosso Brasil ainda deixa muito a desejar e crescer em todos os ãngulos que se possa imaginar, mas esta história ainda vai muito longe e vai dar panos pra manga, como diz o velho ditado: ” se não quer ser picado e sentir dor, não mexa em caixa de marimbondo “!Ficaa dica.

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