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O marketing que chegou a estratosfera

O marketing que chegou a estratosfera

O marketing que chegou à estratosfera

Por Ricardo De Lucia Leite

 

No domingo, dia 14 de outubro de 2012, do meio dia até umas três da tarde fiquei vidrado no computador assistindo ao vivo à transmissão do salto livre de Felix Baumgartner feito da estratosfera. Se você está lendo este artigo e costuma acessar a internet, é muito provável que tenha ouvido falar deste evento, pois foi noticiado pela maioria dos principais portais e mídias. Mas, caso, seja lá como, você não tenha escutado falar dele, vou resumir abaixo.

 

O projeto começou em 2005 quando Felix e a Red Bull anunciaram a missão de realizar um salto em queda livre lá da estratosfera, o que iria expandir os limites do voo humano. Foi desenvolvida uma cápsula aeroespacial especialmente para o projeto e nesses sete anos foram feitos diversos treinamentos, desde testes em túneis de vento a inúmeros saltos a mais de vinte mil metros de altura.

 

Eu ainda não era vivo, mas imagino que o evento deste domingo deve ter sido mais realista do que o dia em que Neil Armstrong pisou na Lua. Ontem perdi o início da decolagem, pois quando me conectei, Felix já estava a três mil metros de altitude. Mas o restante da subida foi muito legal e real. O objetivo era Felix chegar aos quarenta mil metros de altitude dentro de uma cápsula puxada por um balão hi-tech projetado para chegar até a estratosfera e de lá pular, como se fosse mais um salto de paraquedas.

 

Havia tudo que uma missão da NASA para o espaço pudesse ter. Ao ver a sala de comando da missão Red Bull Stratos com todos comemorando quando Felix chegou ao solo são e salvo, lembrei-me do filme Apollo 13 quando Tom Hanks (no papel do astronauta Jim Lovell) abriu a porta da escotilha depois de ter aterrissado no mar. Foi tudo muito real, não pudera ser diferente, estávamos ao vivo.

 

O clímax foi quando Felix abriu a porta da cápsula, levantou-se, parou de pé no degrau da mesma e ao comando de Joe Kittinger (coronel aposentado e membro do Hall da Fama da indústria aeronáutica dos EUA), que liderava a operação e era quem se comunicava com Felix, ele soltou as mãos e caiu em queda livre por um pouco mais de quatro minutos até abrir o paraquedas.

 

Foi incrível, não tive como não me imaginar no lugar de Felix. Eu só ficava pensando, “meu Deus, o cara está lá neste exato momento pulando da estratosfera a quarenta mil metros de altitude”. Imagina ele contando a história para os netos daqui a quarenta anos e lembrando daquele domingo ensolarado que decidiu brincar de pássaro por cinco minutos. O cara entrou para a história.

 

Agora, tudo isso não deixaria de ser somente mais uma história de seres humanos que nasceram programados para bater recordes, se não fosse pelo papel de uma empresa privada, cujo foco nada mais é do que vender mais, em patrocinar e bancar tudo isso.

 

A pergunta que fica é: até onde as empresas podem chegar para chamar a atenção dos consumidores?

 

Em um mundo em que a informação é abundante, nós estamos experimentando uma sobrecarga que torna difícil para focarmos em uma única tarefa por um longo período. Nesta economia, o tempo e atenção se tornaram os recursos mais escassos que temos. E se você quiser vender, terá que conquistar a atenção das pessoas.

 

A Red Bull faz isso com maestria. Ela oferece conteúdo e eventos à nata do seu público-alvo. Pense em algo bacana e radical e pode ter certeza que a Red Bull estará por perto. A empresa criou um negócio de mídia, a Red Bull Media House (http://www.redbullmediahouse.com/) para sustentar os seus outros negócios. É simplesmente fantástico.

 

A principal questão é que esta não é uma receita única e que não pode ser imitada. Muito pelo contrário, isso é marketing de conteúdo na sua melhor forma. É o marketing que as empresas terão que desenvolver caso não queiram ficar para trás nesta nossa nova economia da atenção.

 

As empresas que terão sucesso serão justamente aquelas que conseguirem casar o conteúdo correto com o seu público-alvo. O melhor de tudo é que com a Web 2.0 e com as plataformas de redes sociais, o marketing de conteúdo pode ser desenvolvido por empresas de todos os tamanhos. Seja a quitanda da esquina do Seu Zé anunciando a chegada das melancias frescas para serem degustadas em um dia de calor ou a missão Red Bull Stratos convocando-nos a buscar novos sentidos em nossas vidas, o fato é que o marketing de conteúdo está ao alcance de todos.

 

Muitos devem estar se perguntando e fazendo as contas de quantas latinhas de energéticos terão que ser vendidas para pagar este projeto e ainda dar lucro, logicamente. Se pararmos para analisar bem, o projeto não deve ter saído mais caro do que o horário mais nobre da televisão mundial, que é o intervalo do Super Bowl.

 

Calcular o retorno disso tudo, bem, não deve ser lá a coisa mais fácil… Mas alguns números já bastam para sabermos que a estratégia é no mínimo ótima:

 

·8 milhões de espectadores assistindo o evento ao vivo pelo Youtube;

·Milhões de comentários e compartilhamentos nas redes sociais;

·Noticiado pelos principais veículos de mídia do mundo;

·Conteúdo online que continuará a propagar por muito tempo.

 

Se você ainda está tentando calcular se o projeto pode ter dado lucro, sugiro fazer o contrário. Aliás, desafio qualquer um a provar que o projeto possa dar prejuízo.

 

Além da visibilidade, da conquista por atenção, a ação gerou engajamento ao extremo. Aqui a mídia social é que nos mostra novos caminhos e muda tudo. Se pensar em marketing, vendas, serviço ao consumidor, não há mais departamentos; a conquista de engajamento é o néctar do marketing de conteúdo.

 

Poucas coisas agregam mais valor ao relacionamento com o cliente do que oferecer um conteúdo que possa aumentar seu conhecimento, diverti-lo e instrui-lo para vida. O engajamento é o que valida isso tudo.

 

Neste domingo, um dos recordes que Felix bateu foi de ter ultrapassado a velocidade do som, chegando a uma velocidade máxima de 1.342 km/h, isso mesmo, vou repetir 1.342 km/h.

 

Desde ontem, não me aguento de ansiedade pelo dia em que a Red Bull anunciar o projeto do primeiro homem a ultrapassar a velocidade da luz e conseguir viajar no tempo. E até lá, continuarei a beber algumas latas de energéticos ou seja lá o que eles colocarem à venda.

 

E a sua empresa, já começou a se preparar para a era da informação, da atenção e do engajamento?

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