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O QUE ESPERAR DOS INVESTIMENTOS EM LOGÍSTICA DE TRANSPORTE

O QUE ESPERAR DOS INVESTIMENTOS EM LOGÍSTICA DE TRANSPORTE

Estradas péssimas e/ou caras, portos e aeroportos pouco eficientes e muito burocráticos, ferrovias que não abrangem as principais áreas produtivas de nosso território e hidrovias praticamente não utilizadas. Esse cenário descreve bem a situação atual da infraestrutura de transportes aqui no Brasil. Mas felizmente isso está por mudar por conta do PNLT (Plano Nacional de Logística de Transportes) que irá investir cerca de 100 bilhões de reais (até 2014) e até 2025 por volta de 1% do PIB ao ano. A principal meta desses investimentos será a alteração da matriz de transporte de nosso país, tornando-a predominantemente ferroviária, buscando com isso aumentar a competitividade dos produtos do agronegócio brasileiro no mundo todo além de conectar da maneira mais eficiente possível os mercados consumidores e produtores aqui no Brasil.

Os diferentes meios de transporte de carga no Brasil são utilizados de maneira desproporcional, sendo que apenas 25% do que se transporta é feio por meio de ferrovias, que é um dos modais mais eficientes. Quase 60% dos transportes são feitos por meio das rodovias, que sem sombra de dúvidas é o modal menos eficiente e mais poluente. A diferença nesse caso aparece no custo de logística que é o calcanhar de Aquiles da indústria e do agronegócio.

Por meio de um estudo que abrangeu os 80 principais produtos, que compõem 90% do PIB brasileiro, dividiu-se o Brasil em sete vetores logísticos, que basicamente são áreas onde há predominância de uma mesma atividade econômica, sendo:
– Vetor Amazônico
– Vetor Centro-Norte
– Vetor Nordeste Setentorial
– Vetor Nordeste Meridional
– Vetor Leste
– Vetor Centro Sudeste
– Vetor Sul

Os vetores serão conectados por Ferrovias para que a matriz rodoviária, que é menos eficiente e mais cara, deixe de ser a prioritária. Entre outras ferrovias que serão reformadas ou construídas, a ferrovia Norte-Sul que ligará Belém (PA) ao porto de Rio Grande (RS) e a Ferrovia Transcontinental que ligará Açu (RJ) a Boq. da Esperança (AC) serão os maiores eixos e transportarão grande parte dos produtos do agronegócio para portos (destino exportação) e mercados consumidores no Brasil. Outro avanço significante é o planejamento para conectar as ferrovias aos portos do Pacífico, e com isso conseguir chegar aos mercados da Ásia com mais rapidez, projeto esse que sai do papel após décadas de espera. Os trens de alta velocidade também entrarão nesse novo pacote, eles irão conectar as cidades de Campinas a São Paulo e ao Rio de janeiro em uma de suas linhas, e Belo Horizonte a Curitiba em outra linha, o que irá proporcionar transporte de passageiros com rapidez e também irá desafogar as atuais rodovias e aeroportos que hoje são utilizadas em capacidade muito elevada.

O transporte hidroviário também ganhará espaço nessa nova leva de investimentos. As principais hidrovias que serão trabalhadas nesse cenário serão:
– Amazonas, Madeira e demais afluentes;
– Araguaia/Tocantins;
– Teles Pires/Tapajós
– Parnaíba;
– São Francisco;
– Tietê/Paraná;
– Paraguai;
– Taquari/Jacuí.

A decisão por investimentos em hidrovias é muito óbvia, devido aos inúmeros rios que cortam o Brasil e também pela enorme capacidade de transporte das barcaças, o que torna o transporte hidroviário mais vantajoso do que, inclusive, o transporte ferroviário. Quanto ao transporte rodoviário não há nem o que se comparar, basta verificar que são necessárias 172 carretas Bi-trens, num total de 3,5 km (quando estacionadas) e 26 km (quando em movimento), para levar o que uma Barcaça apenas pode transportar.

Os investimentos necessários nas hidrovias serão para execução de obras de dragagem, derrocamento, manutenção, sinalização e balizamento, assim como terminais, para ampliar a movimentação de cargas por via fluvial, que depois de terminados irão executar um papel muito importante no escoamento da produção dessas áreas aos principais portos e mercados consumidores no Brasil, sendo uma alternativa altamente eficiente para as ferrovias.

Até 2025, espera-se que com a readequação da matriz de transporte proposta no PNLT haja:
– 38% de aumento da eficiência energética no transporte de cargas;
– 41% de redução de consumo de combustível destinado a transporte de cargas;
– 32% de redução de emissão de CO2
– 39% de redução de emissão de NOx

As rodovias e aeroportos também receberão recursos para reformas ou construção, mas a ideia principal do Plano Nacional de Logística de Transporte é proporcionar alternativas de transporte a preços competitivos, e que esse fato ajude a aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e por aqui também.

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2 Comentários
  • MARCOS ZAIDOWICZ
    6 de março de 2013 ás 19:37

    tem que ser avaliado tambem o transtorno que foi ocasionado pela nova lei para os horarios de trabalho dos motorista…e ainda com as condições péssimas das paradas…onde vão parar todos os caminhões sem infraestrutura sem postos de parada.

  • Márcia Regina
    3 de dezembro de 2014 ás 03:56

    Olá,Rafael!
    Parabéns pela matéria!
    Gostaria muito de saber o andamento do PNLT? Poderia ajudar-me tendo em vista sua expertise?
    Sou professora e gostaria de utilizar sua matéria para debate em sala de aula, se assim, me autorizar.Me permite?

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